Calcificação vascular do pé: quando as artérias endurecem
Calcificação vascular do pé: quando as artérias endurecem com depósitos de cálcio, prejudicando a circulação. As causas, os sinais de alerta e como é tratada.
Por Dr. Luigi Manzi·Atualizado em
Você já se perguntou por que algumas pessoas, à medida que envelhecem, começam a apresentar problemas de circulação nos pés? Hoje, vamos falar sobre um fenômeno que observo com frequência no meu consultório: a calcificação vascular dos pés.
É uma condição que afeta muitas pessoas, especialmente após os 50 anos, mas que muitas vezes passa despercebida. Afinal, quem pensa nas artérias dos pés? No entanto, quando elas começam a calcificar — ou seja, quando sais de cálcio se depositam nas paredes dos vasos sanguíneos — podem causar problemas sérios. Não se trata apenas de uma questão estética ou relacionada à idade.
O que exatamente acontece com suas artérias?

Imagine as artérias como tubos flexíveis que transportam sangue rico em oxigênio para os tecidos do pé. Agora, pense no que acontece com um cano de água que se enche de calcário com o tempo. Ele fica rígido. Perde a elasticidade. O fluxo de água diminui.
O mesmo ocorre com as calcificações vasculares no pé. Depósitos de cálcio se acumulam nas paredes arteriais, tornando-as menos elásticas e reduzindo o fluxo sanguíneo. É importante ressaltar que esse processo não acontece da noite para o dia. É gradual, silencioso, mas inexorável.
O resultado? Os tecidos dos pés recebem menos oxigênio e nutrientes do que deveriam. É aí que os problemas começam.
As causas: por que isso acontece com você?
Na minha prática, observo que alguns pacientes têm maior predisposição do que outros. O diabetes é certamente um dos principais culpados — o alto nível de açúcar no sangue danifica as paredes dos vasos sanguíneos ao longo do tempo, facilitando o acúmulo de cálcio. Além disso, há a hipertensão, que exerce pressão excessiva e constante sobre as artérias.
Colesterol alto? Isso também desempenha um papel importante. Ele se deposita nas artérias junto com o cálcio, criando uma espécie de "ferrugem" interna. E não podemos esquecer o tabagismo. Cada cigarro é como um pequeno ataque às suas artérias.
A obesidade e um estilo de vida sedentário completam o quadro. Tenho pacientes que me dizem: "Doutor, não caminho muito porque meu pé dói". É um ciclo vicioso: quanto menos você caminha, pior fica sua circulação.
Infelizmente, a idade é um fator que não podemos controlar. Após os 60 anos, as calcificações vasculares nos pés tornam-se muito mais comuns.
Sinais que você não deve ignorar

"Doutor, quando caminho, meu pé dói e preciso parar." Essa é uma das frases que mais ouço. Dor ao caminhar é o principal sintoma — chama-se claudicação intermitente.
Outros pacientes descrevem uma sensação persistente de frio nos pés, mesmo no verão. Ou formigamento, dormência, como se o pé estivesse "adormecido". Alguns notam que as unhas crescem mais lentamente ou que pequenos ferimentos demoram mais para cicatrizar.
Em casos mais avançados, a pele pode ficar brilhante, fina e azulada. Esses são sinais de que o fluxo sanguíneo está seriamente comprometido.
Como faço para diagnosticar no meu consultório?

A primeira coisa que faço é tocar. Sinto os pulsos arteriais no meu pé — há dois principais, um acima e outro na lateral. Se estiverem fracos ou ausentes, isso já é um sinal de alerta. Depois, observo a pele, sua cor e sua temperatura.
O exame mais importante? Ultrassom Doppler. É como um ultrassom normal, mas "enxerga" o fluxo sanguíneo nas artérias. Consigo ver onde há estreitamentos, a gravidade deles e como o sangue circula. É um exame não invasivo que realizamos aqui na clínica.
Às vezes, solicito exames de sangue para verificar os níveis de açúcar no sangue, colesterol e outros fatores de risco. Em casos selecionados, pode ser necessária uma angiografia — um exame mais detalhado que fornece um "mapa" preciso das artérias do pé.
O que podemos fazer para te ajudar?

A boa notícia é que temos várias opções. Em casos mais leves, mudanças no estilo de vida costumam ser suficientes. Parar de fumar é crucial — eu vi isso em primeira mão, com pacientes que apresentaram melhoras significativas depois de parar de fumar.
Paradoxalmente, a atividade física ajuda. Caminhar regularmente estimula o desenvolvimento da circulação colateral — ou seja, o corpo encontra "rotas alternativas" para levar sangue aos pés.
Do ponto de vista farmacológico, podemos usar medicamentos que melhoram o fluxo sanguíneo ou dilatam as artérias. Para os diabéticos, o controle rigoroso da glicemia é essencial.
Nos casos mais graves, podemos considerar intervenções cirúrgicas: angioplastia (a artéria é "aberta" com um balão), colocação de stent ou bypass – ou seja, criamos uma "circunvalação" para contornar a seção obstruída.
Prevenir é melhor que remediar.

Sempre digo: prevenir é melhor que remediar. Mantenha o diabetes, a pressão alta e o colesterol sob controle. Pare de fumar, se você fuma. Caminhe regularmente — mesmo que sejam apenas 30 minutos por dia, já faz diferença.
Examine seus pés diariamente. Procure por feridas, descoloração ou inchaço. E venha para consultas regulares para verificar se você tem algum fator de risco.
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Perguntas que vocês me fazem com frequência
Doutor, as calcificações podem se dissolver?
Infelizmente, as calcificações já formadas não se dissolvem completamente, mas podemos retardar sua progressão e melhorar a circulação com diversas estratégias.
Sinto dor no pé ao caminhar, isso é sempre calcificação vascular?
Nem sempre. Existem muitas causas para dor nos pés ao caminhar. Por isso, uma avaliação completa por um especialista é importante.
A cirurgia é sempre necessária?
De forma alguma. A maioria dos casos é tratada com terapia conservadora. A cirurgia é reservada para os casos mais graves, quando outras opções falham.
