Pé de tenista: quando o calcanhar diz "chega"
Pé de tenista: dor aguda no calcanhar ao pisar de manhã, típica de quem corre e salta em piso duro. O que é, por que acontece e como tratar.
Por Dr. Luigi Manzi·Atualizado em
Você acorda de manhã, coloca o pé no chão e… ai! Uma dor aguda no calcanhar que te faz pular em uma perna só. Se você já passou por isso, provavelmente já teve o que chamamos de "pé de tenista".
O nome pode ser enganoso. Você não precisa jogar tênis para ter fascite plantar. Já vi em corredores, em donas de casa que ficam muito tempo em pé, em pessoas que começaram a caminhar mais para perder peso. Pé de tenista é, na verdade, fascite plantar. Ponto final.
Mas por que dói tanto? E, mais importante, o que podemos fazer para resolver isso?
O que exatamente é o pé de tenista?

Vamos ver do que estamos falando. A fáscia plantar é como uma faixa elástica resistente que percorre a parte inferior do pé, do calcanhar aos dedos. Ela sustenta o arco plantar e ajuda a absorver o impacto ao caminhar.
Imagine essa faixa como um elástico que você usa todos os dias. Com o tempo, se você puxá-la com muita força ou da maneira errada, ela inflama. Isso é o que chamamos de fascite plantar: inflamação dessa faixa de tecido.
A dor típica? Dor no calcanhar, especialmente pela manhã. É como se o pé tivesse "enferrujado" durante a noite. Os primeiros passos são uma tortura, depois a dor diminui gradualmente. Mas atenção: isso não significa que está curado. Significa apenas que a fáscia se aquece um pouco enquanto caminhamos.
As causas: por que isso acontece com você

"Doutor, eu não fiz nada de especial!" Essa é uma frase que ouço com frequência. E muitas vezes é verdade. A fascite plantar pode se desenvolver por diversos motivos.
Tênis ou corrida são definitivamente esportes que podem desencadear isso. Movimentos repetitivos, saltos e mudanças repentinas de direção. Mas também já vi acontecer em pessoas que começaram a caminhar mais, talvez para perder alguns quilos. O pé não estava acostumado e a fáscia reagiu.
Sapatos inadequados são outro grande culpado. Aquelas sapatilhas de ballet que estão tão na moda? São desastrosas para a fáscia plantar. Sapatos velhos e gastos, sem nenhum suporte. Ou, ao contrário, sapatos muito rígidos que não permitem o movimento natural do pé.
O peso corporal importa, não posso negar. Cada quilo a mais se traduz em maior estresse na fáscia plantar. Não é uma questão de estética, é pura biomecânica.
E depois vem a idade. Depois dos 40, a fáscia plantar perde elasticidade. É a vida, infelizmente. Os músculos da panturrilha encurtam, o pé perde parte da sua flexibilidade natural e a fáscia sofre as consequências.
Como se manifesta: os sinais que não deve ignorar

O principal sintoma é a dor no calcanhar pela manhã. Meus pacientes a descrevem de maneiras diferentes: "como andar sobre pregos", "como uma facada", "como uma pedrinha no sapato, só que muito mais dolorosa".
A dor pode irradiar ao longo do arco do pé. Não é apenas o calcanhar; às vezes, toda a sola dói. E há uma característica: melhora ao caminhar, mas piora novamente se você parar por um tempo e depois voltar a caminhar.
A região do calcanhar é sensível ao toque. Se você pressionar com o dedo a parte interna do calcanhar, exatamente onde a fáscia se insere, dói. Este é um dos testes que sempre realizo durante a consulta.
A rigidez matinal é outro sinal típico. O pé fica "preso", como se precisasse de tempo para "acordar". E, de fato, é exatamente isso que acontece: durante a noite, a fáscia encurta e o primeiro alongamento pela manhã é traumático.
O diagnóstico: como entendemos o que você tem.

Quando você vem ao meu estúdio, a primeira coisa que faço é ouvir. A história que você me conta já é muito significativa. Depois, observo como você caminha, como posiciona o pé.
O exame clínico é essencial. Eu pressiono o calcanhar, movo o pé em várias direções e verifico a flexibilidade do tornozelo. Há um teste específico que sempre faço: o "teste do guincho". Eu dobro o dedão do pé para trás enquanto mantenho o tornozelo imóvel. Se esse movimento desencadear a dor típica, é muito provável que seja fascite plantar.
Radiografias? Quase sempre as solicito, não para confirmar a fascite plantar, mas para descartar outras condições. Fraturas por estresse, esporão do calcâneo, osteoartrite. O ultrassom pode ser útil para visualizar a inflamação da fáscia, mas, frequentemente, o diagnóstico é claro apenas pelo exame clínico.
De vez em quando, aparece um paciente que já consultou inúmeros médicos sem obter um diagnóstico preciso. Às vezes, o problema não é apenas fascite plantar, mas uma combinação de fatores: tendinite de Aquiles, disfunção do tibial posterior ou problemas de suporte. É por isso que uma avaliação completa é importante.
Tratamentos: da terapia conservadora à cirurgia

A boa notícia? A grande maioria dos casos de fascite plantar se resolve sem cirurgia. Mas é preciso paciência.
Repouso é o primeiro passo. Isso não significa ficar na cama, mas sim evitar atividades que desencadeiam a dor. Se você corre, faça uma pausa. Se você caminha muito a trabalho, tente reduzir a distância sempre que possível.
O gelo é um ótimo aliado, especialmente à noite. Uma pequena garrafa de água gelada colocada sob o pé por 15 a 20 minutos pode proporcionar alívio. Mas atenção: nunca aplique gelo diretamente sobre a pele.
O alongamento é essencial. Exercícios específicos para alongar a fáscia plantar e o tendão de Aquiles. Sempre os mostro aos meus pacientes: são simples, mas eficazes. Faça-os pela manhã, antes de sair da cama, e várias vezes ao longo do dia.
Palmilhas? Elas podem ser muito úteis, mas precisam ser de boa qualidade. Não aquelas que você compra no supermercado. Palmilhas feitas sob medida que corrigem a pisada e aliviam a fáscia plantar. Na minha clínica, trabalhamos com técnicos ortopédicos especializados justamente para isso.
Os anti-inflamatórios proporcionam alívio temporário. Costumo prescrevê-los durante as fases agudas, mas não são uma solução a longo prazo. Servem para reduzir a inflamação e permitir que outros tratamentos sejam mais eficazes.
Injeções de cortisona? Eu as uso com parcimônia. Podem proporcionar alívio rápido, mas nem sempre duradouro. E existe o risco, embora raro, de ruptura da fáscia plantar.
A cirurgia é o último recurso. Estamos falando de menos de 5% dos casos. Quando todos os tratamentos conservadores falham após pelo menos 6 a 12 meses, podemos considerar a cirurgia. Mas repito: é extremamente raro chegar a esse ponto.
Recuperação: O que esperar

“Doutor, quanto tempo leva para sarar?” Essa é a pergunta que todos me fazem. A resposta sincera? Depende.
Nos casos mais simples, com o tratamento adequado, você pode se sentir melhor em 6 a 8 semanas. Mas já vi casos que levaram 6 meses e outros que se resolveram em poucas semanas.
O que sempre digo aos meus pacientes é para não se desanimarem se não virem melhorias imediatas. A fascite plantar é persistente, mas se formos pacientes e consistentes com o tratamento, quase sempre acaba por se resolver.
É normal ter altos e baixos durante a recuperação. Uma semana você se sente melhor, na seguinte pior. Isso não significa que você não está se curando; é a progressão normal dessa condição.
Prevenção: melhor prevenir do que remediar.

O calçado adequado é a base de tudo. Tênis de corrida se você corre, tênis de caminhada se você caminha muito. Eles devem ter bom suporte para o arco do pé e amortecimento no calcanhar. E troque-os regularmente: depois de 500 a 600 quilômetros, já está na hora de descartá-los.
Alongamentos diários são um hábito que vale a pena manter para sempre. Alguns minutos por dia podem prevenir meses de dor. Exercícios para a panturrilha, o tendão de Aquiles e a própria fáscia plantar.
Peso corporal — falamos muito sobre isso, mas é importante. Cada quilo perdido significa menos pressão nos pés. Se você precisa emagrecer, faça isso gradualmente e escolha esportes que não sobrecarreguem os pés: natação, ciclismo, hidroginástica.
SmartHallux: Onde podemos te ajudar

O Dr. Luigi Manzi, que possui vasta experiência nessa área, acompanha cada paciente de forma personalizada, utilizando as técnicas mais modernas.
A equipe da SmartHallux trata condições como hálux valgo , neuroma de Morton e outras deformidades que causam dor nos pés. Oferecendo suporte completo durante todo o processo de tratamento, a SmartHallux pode ser a escolha ideal para um tratamento eficaz e personalizado às suas necessidades. Agende agora mesmo (abre num novo separador) sua consulta com um especialista da equipe SmartHallux.
Nosso ponto forte é a rapidez no atendimento: você não precisará esperar meses por uma avaliação. E quando o tratamento conservador não for suficiente, estamos preparados com as técnicas cirúrgicas mais avançadas.
Perguntas Frequentes
Doutor, é verdade que a fascite plantar afeta mais as mulheres?
Sim, de fato, mas não muito. As mulheres são ligeiramente mais afetadas, talvez por causa dos sapatos que costumam usar. Alternar saltos altos com sapatos baixos não é bom para a fáscia plantar.
Se apenas um pé dói, o outro também pode doer?
Infelizmente, isso pode acontecer. Muitas vezes, as pessoas começam a andar de forma estranha para evitar a dor, o que pode sobrecarregar o outro pé. Por isso, é importante não ignorar o problema.
É verdade que os atletas se recuperam mais rápido?
Não necessariamente. Os atletas costumam ter músculos mais fortes e flexíveis, mas também tendem a exagerar na recuperação. Paciência é essencial para todos.
